quarta-feira, 6 de julho de 2016

A cultura do Nordeste.


A cultura do Nordeste apresenta características próprias herdadas da interação da cultura dos colonizadores portugueses, dos negros e dos índios. É importante destacar que a cultura representa uma complexa teia, na qual estão incluídos os conhecimentos, os costumes, as artes, as crenças, os cultos religiosos, a literatura popular, as danças e os hábitos, de determinado grupo.
Dessa forma, a cultura do Nordeste brasileiro, região formada pelos estados doMaranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, desenvolveu hábitos próprios com relação ao mundo e às manifestações culturais, herdados de geração em geração.

Manifestações Culturais

Algumas das manifestações culturais que mais se destacam na região nordeste do Brasil são: as festas juninas, o Reisado, a poesia popular, o artesanato, a capoeira, o frevo, a culinária e as religiões afro-brasileiras.

Festas Juninas

Cultura do Nordestequadrilha
As festas juninas, as principais festas representativas da cultura do Nordeste, são comemoradas no mês de junho. Festejadas com danças típicas como aquadrilha e o forró, bandeirolas, balões e fogos de artifício, fazem homenagem aos santos católicos Santo Antônio (13/06), São João (24/06) e São Pedro (29/06). As comidas de milho e de coco são típicas da época, entre elas, a canjica, a pamonha, o bolo de milho e o pé de moleque preparado com massa de mandioca, o milho assado, o milho cozido, o quentão etc. A cidade de Caruaru no estado de Pernambuco é considerada a capital do forró, e a cidade de Campina Grande na Paraíba, é reconhecida por realizar o maior São João do mundo.

Reisado

O Reisado é uma festa católica que celebra a visita dos Reis Magos ao menino Jesus. Essa festa faz parte da cultura do nordeste, sendo festejada em alguns estados, entre eles Alagoas e Piauí. O Reisado ou Folia dos Reis reúne um grupo de foliões que trajados com roupas típicas, enfeitadas de fitas e espelhos, visitam as casas das pessoas hospitaleiras, dançando e cantando as músicas típicas da festa.

Poesia Popular

Cultura do Nordesteliteratura de cordel
A poesia popular é representada pelaliteratura de cordel, recitada ou publicada em folhetos. Esse tipo de poesia relata os costumes e as crenças do povo, no qual os personagens podem ser reais ou fictícios. Os repentistas são os cantadores que divulgam a poesia popular da cultura do Nordeste.

Artesanato

O artesanato da Região Nordeste é bastante diversificado, com a produção de trabalhos decorativos e utilitários, confeccionados em cerâmica, madeira, conchas, rendas, dentre outros materiais. A arte da renda foi trazida pelos portugueses, onde a mulher rendeira é uma personagem típica da cultura do Nordeste.

Capoeira

A capoeira, originária da África, trazida pelos escravos, é uma luta ritmada, com acrobacias, tocada ao som do berimbau, pandeiro e palmas. É muito difundida naBahia, estado com grande número de descendentes africanos.

Frevo

Cultura do Nordestefrevo
O frevo dança típica do carnaval pernambucano, foi declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Essa dança se caracteriza pelo ritmo acelerado, onde os passistas realizam passos acrobáticos, levando numa das mãos a típica sombrinha colorida do frevo.

Culinária

A culinária nordestina foi desenvolvida sob a influência da comida portuguesa, africana e indígena. O consumo de raízes, como macaxeira, inhame, batata doce, o preparo de comidas bem temperadas e apimentadas, como o acarajé, vatapá, bobó de camarão, moqueca de peixe, sururu; comidas de milho e coco, como o cuscuz, a pamonha e a canjica, é tudo uma herança que foi adaptada em cada estado.

Religiões Afro-Brasileiras

Entre os cultos africanos trazidos pelos escravos e enraizados na cultura do Nordeste, destacam-se o candomblé e a umbanda, com seus rituais, hierarquias e cerimônias que reverenciam suas divindades.
POR: Júlia Alves 

Oque é seleção natural ?

Seleção natural é um processo proposto pelo naturalista britânico Charles Darwin, em que os ambientes seriam responsáveis por "selecionar" os organismos mais adequados 
para habitar determinado lugar.

POR: Júlia Alves 

terça-feira, 5 de julho de 2016

Formação dos fósseis

A fossilização é o conjunto de processos que levam à formação de fósseis e está intimamente ligada com a formação das rochas sedimentares. É um processo que pode levar milhões de anos.



Qual a relação entre a formação das rochas sedimentares e a formação dos fósseis?
Existem diferentes tipos de fósseis, logo existem diferentes formas destes se formarem. No entanto, a maioria dos fósseis tem o seu processo de formação interligado com a formação das rochas sedimentares onde se encontram. A maioria das rochas expostas à superfície da Terra são rochas sedimentares, formadas a partir da deposição e consolidação de partículasdesprendidas de rochas mais velhas, que sofreram a erosão da água e do vento, partículas como o cascalho, a areia ou argila. Com a passagem do tempo e a acumulação por deposição de mais partículas, frequentemente com mudanças químicas, os sedimentos desagregados transformam-se em rocha firme. Mas isto já tu conheces, pois já estudaste os processos desedimentação e diagénese.
Para que os fósseis se formem, a deposição destas partículas sedimentares tem de ocorrer em locais onde existam animais e plantas mortos ou vivos, que ficam, assim, enterrados. Mas não é uma questão tão simples como parece, pois apenas umafracção muito pequena das plantas e animais do passado fossilizaram. As condições mais favoráveis para a formação de fósseis ocorrem junto às praias ou em mares pouco profundos. Quando os rios lançam neles as suas águas lodosas ou as tempestades lhes revolvem o lodo do fundo, ficam suspensas na água muitas partículas minerais. Tais partículas depositam-se gradualmente, recobrindo animais e vegetais vivos ou mortos. Depois, novas camadas de lodo e outros materiais sedimentares vão-se depositando sobre as primeiras, devido a posteriores tempestades e cheias. Com o tempo e as pressões que as camadas superiores vão exercendo, as camadas inferiores de sedimento convertem-se em rochas compactas. Mais tarde, a erosão ou os movimentos da crusta terrestre podem fazer variar a posição e situação dessas rochas sedimentares, que podem aparecer à superfície alguns milhões de anos mais tarde. É por este motivo que, frequentemente, se encontram fósseis de seres marinhos incluídos em rochas situadas muito acima do nível do mar.

O conjunto de processos físicos e químicos que permitem a conservação de restos e marcas dos seres vivos designa-se por fossilização. Para que se dê a fossilização de um organismo é necessário que ele, partes dele ou apenas os seus rastos ou marcas fiquem rapidamente ao abrigo dos agentes da erosão e da decomposição.
A formação de fósseis só acontece nos mares?
Embora os mares sejam locais de eleição para a formação de fósseis, também em terra existem zonas que apresentam características propícias a este processo. Estamos a falar dos lagos e pântanos. Mas não só. Nos desertos, as areias sopradas pelo vento, auxiliam com frequência a formação de fósseis. Foi este o modo que conduziu à preservação de ninhos de ovos de dinossauros, descobertos no deserto de Gobi, na Mongólia. As dunas de areia móvel também cobrem árvores erectas, que com o tempo podem vir a petrificar-se.


Nas regiões geladas os animais são, por vezes, conservados pelo frio. Nos gelos da Sibéria encontraram-se vários corpos completos de mamutes que viveram há muitos milhares de anos. Embora se encontrassem simplesmente congelados, são verdadeiros fósseis, tal como os animais preservados noutros meios.
Alguns dos fósseis mais perfeitos que se têm encontrado estão incluídos em massas de âmbar amarelo. Esta substância não é mais do que uma resina seca e endurecida pelo tempo, que foi segregada por certas árvores ancestrais. Não é raro encontrar insectos em fragmentos de âmbar. Embora alguns deles tenham vivido há milhões de ano, podem estudar-se tão fácil e completamente como os da actualidade.
E como se formaram os outros tipos de fósseis, como as pegadas e as impressões?
Os fósseis de pegadas formam-se quando os animais do passado se deslocaram sobre terrenos moles, como as lamas e argilas, deixando as marcas das suas patas. Estas marcas logo após a sua formação, foram cobertas por materiais de sedimentação, que mais tarde se consolidaram, preservando, deste modo, as pegadas.
As impressões são moldes de objectos finos, como folhas ou penas, rastros deixados por animais extintos e até gotas de chuva. As impressões são conservadas quando a lama mole em que foram deixadas endurece, petrificando as impressões, que são depois cobertas por outra camada de substâncias formadoras de rocha, de modo a ficarem protegidas da erosão.

Mas como é que se dá a transformação de um animal num fóssil?
A transformação de um organismo vivo num fóssil pode levar milhões de anos, além de que é dependente do acaso, pois requer a ocorrência de diversas condições em simultâneo. Assim que morrem, os organismos começam imediatamente a sofrer o processo de decomposição, e mesmo com as partes duras isto acontece. Para que um organismo fossilize, ele terá de ser enterrado antes de se decompor. Mas mesmo já enterrados, os organismos podem sofrer alterações. A carne e outras estruturas moles (como os órgãos) decompõem-se tão depressa que não chegam a ser conservadas. É por isso que animais inteiros são um achado raro e a maior parte dos fósseis consiste apenas em conchas, dentes, ossos e outras partes duras.

Um dos processos de formação dos fósseis que ocorre, fundamentalmente, em meios aquáticos designa-se por mineralização. Os seres aquáticos que morrem ou os seres terrestres cujos corpos, por qualquer motivo, são arrastados para os fundos aquáticos, podem sofrer esta transformação. Ela consiste na precipitação de substâncias dissolvidas na água, que vão substituir gradualmente a matéria do organismo, à medida que ele se decompõe. É por isso que as partes duras (as mais resistentes à decomposição) aparecem milhões de anos mais tarde com um aspecto ainda sólido, pois foram endurecidas por minerais originários do próprio sedimento.

Também as plantas podem sofrer o processo de mineralização. Foi o que aconteceu com as árvores do estado americano do Arizona. Existiria aqui uma floresta muito antiga que terá sofrido uma grande inundação. As águas que inundaram esta floresta trouxeram muitos detritos que sedimentaram, submergindo as árvores. Lentamente, as substâncias dos troncos foram substituídas por minerais. Esta petrificação preservou tão bem a forma dos troncos que foi possível determinar a idade das árvores. A mineralização dos antigos animais e plantas é, por vezes, tão perfeita que é possível estudar ao microscópio a estrutura da suas células.


Mas nem todos os fósseis se formam deste modo. Por vezes, em vez de ser substituído por matéria mineral, o animal original é inteiramente dissolvido pelas águas de infiltração, deixando na rocha cavidades a que se chamam “moldes externos”. Posteriormente, as cavidades poderão ser preenchidas completamente por substâncias minerais, areia ou lodo, designando-se, então, por “moldes internos”.
Mas mesmo cobertos por sedimentos, muitos fósseis dissolvem-se totalmente, antes de ter sido criado o seu molde, e outros podem ser quimicamente alterados ou distorcidos, devido a temperaturas elevadas ou pressões. Por tudo isto, apenas uma pequena parte se mantém até ser encontrada.
CURIOSIDADE
No Verão de 1977 foi descoberto um mamute bebé de sete meses numa camada de gelo na Sibéria. Depois de ter sido estudado por numerosos cientistas, foi embalsamado. A sua idade? 40 000 anos. Trata-se do primeiro espécime tão bem conservado. Foi possível reconstituir a flora da época graças a pólenes fósseis que se encontravam no estômago deste animal. Este mamute bebé deve ter caído no lodo, que terá funcionado como uma armadilha; o seu cadáver terá sido rapidamente recoberto por sedimentos; em seguida terá nevado e o solo não mais degelou, preservando até aos nossos dias este animal.
VOCABULÁRIO

. Interligado – ligado de forma muito intensa;
. Deposição – formação de um depósito, assentar no fundo;
. Consolidação – tornar sólido, firme, fazer aderir as partículas soltas umas às outras;
. Desprendido – que se soltou, que se libertou;
. Desagregado –separado, desligado;
. Sedimentação – fase de formação das rochas sedimentares referente à deposição dos materiais;
. Diagénese – conjunto de modificações químicas e físicas sofridas pelos sedimentos, desde a deposição até à consolidação e transformação em rocha sólida;
. Fracção – (=fragmento) porção, parte de um todo;
. Águas lodosas – águas com lodo (lama);
. Petrificar – transformar ou converter em pedra, endurecer;
.Ancestral – antepassado muito antigo;
. Simultâneo – ao mesmo tempo;
. Submergir – meter debaixo de água, inundar;
. Distorcer – entortar;
. Embalsamar – conjunto de técnicas que permitem preparar um cadáver para que resista à putrefacção (apodrecimento);
. Espécime – exemplar;
. Degelar – derreter o gelo.

POR: Júlia alves

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Império português

O Império Português ou Império Colonial Português [nota 1] foi o primeiro império global[1] da história,[2] [3] [4] sendo considerado o mais antigo dos impérios coloniais europeus modernos, abrangendo quase seis séculos de existência, a partir da Conquista de Ceuta, em 1415, até a devolução da soberania sobre Macau à China. O império espalhou-se ao longo de um vasto número de territórios que hoje fazem parte de 53 países diferentes. É importante ressaltar que, seja durante o regime monárquico, seja durante o regime republicano, Portugal jamais se autodenominou oficialmente como um "império".
Marinheiros portugueses começaram a explorar a costa da África em 1419, utilizando os recentes desenvolvimentos em áreas como a navegação, a cartografia e a tecnologia marítima, como a caravela, com o objetivo de encontrar uma rota marítima para o lucrativo comércio de especiarias do oriente. Em 1488, Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança e, em 1498,Vasco da Gama chegou à Índia. Em 1500, Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil, na costa atlântica sul-americana. Nas décadas seguintes, os marinheiros lusitanos continuaram a explorar o litoral e as ilhas do leste da Ásia, estabelecendo fortes efeitorias. Em 1571, uma série de postos avançados ligava Lisboa a Nagasaki, no Japão, ao longo das costas da África, Médio Oriente, Índia e Ásia. Esta rede comercial trouxe grande riqueza para o Reino de Portugal.
Entre 1580 e 1640, o Reino de Portugal e o Império Espanhol compartilharam os mesmos reis, em uma união pessoal das coroas dos dois países. Embora os dois impérios tenham continuado a ser administrados separadamente, as colóniasportuguesas se tornaram alvo de ataques de três potências europeias rivais e hostis à Espanha, que ambicionavam os sucessos ibéricos no exterior: a Holanda, a Grã-Bretanha e a França. Com uma população menor, Portugal não foi capaz de defender eficazmente sua sobrecarregada rede de postos comerciais e o império começou a entrar em um longo e gradual processo de declínio.[5] Perdas significativas para os holandeses na Índia Portuguesa e no sudeste da Ásia durante oséculo XVII trouxeram fim ao monopólio do comércio português no Oceano Índico. O Brasil, que havia se tornado a colónia mais valiosa de Portugal, tornou-se independente em 1822, como parte de uma onda de movimentos independentistas que varreu a América no início do século XIX. O Império Português então foi reduzido às suas colónias no litoral africano (que foram expandidas para o interior durante a Partilha de África, no final do século XIX), Timor-Leste e enclaves na Índia (Goa, Damão e Diu) e na China (Macau).
Após a Segunda Guerra Mundial, o então líder de Portugal, António Salazar, tentou manter intacto o que restava do império pluricontinental, num momento em que outros países europeus estavam já a iniciar a descolonização dos seus territórios. Em 1961, as tropas portuguesas em Goa foram incapazes de impedir o avanço das tropas indianas que marcharam para a colónia em número superior. Salazar deu início a uma guerra (a Guerra Colonial Portuguesa) com o objectivo de eliminar as forças anticoloniais em África, a qual durou até à queda do regime em 1974. O novo governo, instalado após a Revolução dos Cravos, imediatamente tornou lei o princípio de autodeterminação dos povos, mudando radicalmente a política abrindo a possibilidade de independência de todas as colónia, terminando de facto com o "império português". A exceção foi Macau, território devolvido à China somente em 1999, marcando simbolicamente, o fim do Império Português. Atualmente, os arquipélagos dos Açores e da Madeira são os únicos territórios ultramarinos que permanecem ligados politicamente a Portugal, mas deve-se considerar que eram ilhas inabitadas antes da ocupação portuguesa. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é a sucessora cultural do Império. Por Nicole Cristina Parente.

Dinossauros do Brasil


O número de espécies de Dinossauros do Brasil já totaliza 14, sendo que o país possui várias regiões caracterizadas pela presença de fósseis desses animais.
A paleontologia vem crescendo gradativamente no Brasil, os profissionais brasileiros na escavação e estudo dos fósseis de dinossauros conquistam cada vez mais respeito no mundo, uma vez que as descobertas feitas no país são de grande relevância. Ainda assim, muito se deve melhorar, pois as condições de financiamento de pesquisas ainda são complicadas e não há profissionais em número suficiente no Brasil para ampliar as conquistas científicas com a mesma rapidez como ocorre nos Estados Unidos.
Os cientistas acreditam que o Brasil tenha abrigado enorme variedade de dinossauros. As pesquisas até o momento mostram que os fósseis descobertos em terras brasileiras estão datados no final do período Triássico ou início do Cretáceo, na Era Mesozóica. Tudo leva a crer que durante o períodoJurássicoalguma causa, ainda não muito bem compreendida, levou esses animais a se espalharem por outros ambientes do que hoje é a América em busca de melhores condições de sobrevivência. Apenas com o melhoramento das condições, esses animais retornaram.
Os primeiros fósseis foram encontrados no Brasil no ano de 1897, eram pegadas fossilizadas localizadas próximas à cidade de Sousa, na Paraíba. Por muito tempo esses registros permaneceram inexplorados, somente em 1920 geólogos identificaram as pegadas como de duas espécies diferentes de dinossauros. Já em 1902, no Rio Grande do Sul, pesquisas foram feitas na paleorrota em Santa Maria que tiveram como resultado a descoberta do primeiro fóssil de réptil terrestre da América do Sul, chamado de Rincossauro. A região se tornou de destaque para paleontólogos do mundo todo. Na década de 1940, Uberaba, em Minas Gerais, e o oeste paulistarevelaram-se como regiões importantes para a paleontologia. Esta, contudo, ficou apagada no Brasil por três décadas praticamente, foram os estudos do padre Giuseppe Leonardi sobre os fósseis de Souza que reacenderam as pesquisas no país. A publicação de tal pesquisa fez o sítio paleontológico em Souza ficar conhecido como o Parque dos Dinossauros Brasileiros, o qual é reconhecido como um dos mais importantes no mundo todo.
Já foram encontrados ossos, dentes, ovos, pegadas e fezes de dinossauros no Brasil, sendo que as principais regiões de sítios paleontológicos são localizadas nos estados do Ceará, Paraíba,Pernambuco, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul.
O Brasil se revelou território de várias espécies de dinossauros, é bem possível que espécies que viveram na Argentina, mas ainda não encontradas no Brasil, tenham vivido aqui também. A proximidade das duas regiões permitia o deslocamento dos animais, talvez seja uma questão de tempo apenas para encontrá-los.
Entre os primitivos Dinossauros do Brasil aparecem ocorrências de sauropodomorfos. Os fósseis apontam para a existência de criaturas semelhantes aos animais que viveram na América do Norte eÁsia, mesmo sem ocorrer um parentesco direto. A quantidade de ossos encontrados releva que o Brasil era mesmo abundante em saurópodes, especialmente do grupo dos titanosaurídeos. Destaca-se também a ocorrência considerável de pterossauros. Mas além dessas duas últimas espécies, as mais notáveis no país, aparecem ainda os espinossaurídeos, ornitomimossaurídeos,iguanodontídeos, ornitópodes, estegossaurídeos, carnossauros e possivelmenteceratopsianos.
Recentemente, o Brasil apresentou uma importante descoberta paleontológica, o Santanaraptor. Este dinossauro carnívoro viveu na região que hoje é o Ceará há cerca de 110 milhões de anos, aparentemente integrou a linhagem que deu origem ao famoso Tiranossauro da América do Norte. Foram descobertos ossos e componentes de tecidos “moles” como vasos sanguíneos, pele e fibras musculares, o que é raro na paleontologia. Também foi apresentado um gigante dinossauro carnívoro com sete metros de altura, localizado na Chapada dos Guimarães, em Mato Grosso. O animal que viveu há 80 milhões de anos foi catalogado como um dos maiores predadores de todos os tempos e recebeu o apelido de Rondon II, em homenagem ao Marechal Cândido Rondon.Por Nicole Cristina Parente.

"união que faz a liberdade" : Jangadeiros

Acompanhados de seus escravos, alguns negociantes aguardavam na Praia do Peixe – atual Iracema – a chegada das jangadas que iriam transportar quatorze cativos numa viagem até o Sul. Aparentemente, a cena era corriqueira, mas, naquela manhã de 27 de janeiro de 1881, todos foram surpreendidos pela atitude dos jangadeiros. Eles se recusaram a pôr os cativos em suas embarcações, num episódio que marcou para sempre a luta contra a escravidão no Ceará.
Desde o período colonial até os tempos do Império, o comércio interno de escravos, ou tráfico interprovincial, era uma constante no atual território brasileiro. Ele envolvia a transferência de cativos de uma região para outra, fosse por compra, troca, venda ou doação. Desde o século XVIII, o escravismo no Ceará foi, em grande parte, resultado desse tipo de negócio. Os escravos, em sua maioria, eram oriundos de províncias vizinhas, como Pernambuco, Maranhão e Bahia, e também vinham da África pelos portos de São Luís e Recife. Mas foi a partir de 1850, com a proibição do tráfico de cativos procedentes do continente africano, que o tráfico interprovincial passou a se intensificar e a ganhar relevância em todo o território do Império brasileiro.
Enquanto traficantes ganhavam cada vez mais dinheiro com esse comércio, começou a ser organizado um movimento abolicionista local, que teve mais força depois que três anos de seca (1877-1879) se abateram sobre Fortaleza. A estiagem prolongada vitimou principalmente os escravos, que sofreram com a fome e com diversas doenças, e acabaram servindo de moeda corrente em tempos de penúria, transformando-se na salvação de senhores arruinados. Em 1879, um grupo de jovens que não suportava mais ver as humilhações impostas aos cativos que chegavam com as caravanas vindas do interior, resolveu fazer alguma coisa. Influenciados pelas ideias liberais que estavam em voga, eles organizaram uma associação destinada à compra das alforrias de escravas, já que os homens eram a principal mercadoria do comércio interno. A entidade abolicionista criada por esses jovens ficou conhecida como Sociedade Libertadora Perseverança e Porvir.
Segundo informações do livro de atas da associação, na noite de 26 de janeiro de 1881, o abolicionista José do Amaral sugeriu que se tomasse alguma medida para impedir, à força, que continuasse o tráfico de escravos que saía de Fortaleza. O mais curioso nessa história é que estava presente ao encontro um mulato chamado Francisco José do Nascimento, o Chico da Matilde, prático-mor do porto, que posteriormente receberia a alcunha de Dragão do Mar. Ele liderava o grupo dos jangadeiros ao lado do negro liberto Antônio Napoleão, que chegara a juntar vintém por vintém para comprar sua alforria, a da família e a dos amigos, gesto que foi determinante para torná-lo muito respeitado entre a classe.
O fato é que ninguém podia imaginar que homens simples afrodescendentes seriam capazes de desafiar uma organização extremamente poderosa. Mas a proposta dos abolicionistas só poderia dar certo com a participação dos jangadeiros. E foi o que ocorreu. Sem eles, que eram os últimos a ter contato com os escravos embarcados, o movimento não teria sucesso.
Napoleão, Nascimento e seus colegas tinham motivos de sobra para aderir a essa causa. Muitos escravos devem ter pedido a eles que não fossem embarcados e relatado terríveis histórias de sofrimento por terem sido separados dos seus. Assistir a esse teatro de horrores provavelmente fez crescer entre os jangadeiros a consciência de que aquela situação precisava mudar. Mas para que pudessem se organizar a ponto de paralisar o tráfico, teve que surgir entre eles um consenso sobre o que representava aquele ato.
Foi na Perseverança e Porvir que a classe encontrou o apoio necessário para acabar com o  transporte de cativos. E reuniu forças para realizar um feito até então inusitado. Tanto que, naquela manhã de 27 de janeiro, os encarregados do embarque de escravos foram surpreendidos com a recusa dos jangadeiros em transportá-los. Diante da situação, conforme foi noticiado no jornal O Libertador, “os negreiros recorreram a todos os expedientes: oferecimento, promessas, suborno, ameaças; tudo, tudo foi baldado”.
A notícia dessa ação dos jangadeiros se espalhou, e as pessoas começaram a se dirigir à praia para ver de perto uma cena inédita. Afinal, um grupo de pescadores pobres, liderados por negros, pardos e mulatos, enfrentava os representantes de uma elite de poderosos comerciantes e traficantes. Segundo O Libertador, “mais de 1,500 homens de todas as classes e condicções” se encontravam ali, acompanhando a resistência dos jangadeiros. Em solidariedade ao protesto, muitos gritavam: “Nos portos do Ceará não se embarca mais escravos!”. O movimento, que se repetiu algumas vezes nos dias seguintes, até 31 de janeiro, ganhava sua primeira batalha.
Meses depois, em 30 de agosto de 1881, haveria uma nova tentativa de embarcar escravos, desta vez para o Norte. Apesar de o presidente da província e o chefe de polícia recém-nomeados apoiarem francamente os negreiros, os jangadeiros obtiveram outra vitória, e o porto de Fortaleza acabou sendo fechado definitivamente para o comércio interno de escravos. Tudo isso com o apoio do tenente-coronel Francisco de Lima e Silva, parente do duque de Caxias, que estava à frente do 15º Batalhão de Infantaria.
Mesmo com todas as mudanças em curso na sociedade cearense, os negreiros ainda eram capazes de dar algumas demonstrações de força. Os abolicionistas podiam ter o suporte do comandante do 15º Batalhão de Infantaria, mas os comerciantes de escravos ainda conseguiam se valer de todos os meios para manter seus lucros. Segundo o Livro de Actas da Sociedade Perseverança e Porvir, chegou a ser ordenado que uma flotilha da Marinha de Guerra fosse enviada para proteger o tráfico e até bombardear a cidade dos revoltosos. Mas, com o tempo, esse esforço acabaria provando ter sido em vão.
Os abolicionistas teriam muito a perder, pois os negreiros fariam de tudo para não deixar nenhum de seus adversários impune, valendo-se de perseguições, medidas repressivas e punições. Segundo o Livro de Actas, Lima e Silva foi removido do seu cargo, assim como o promotor público da capital, Frederico A. Borges, e de dois oficiais da guarda urbana.Além disso, o Dragão do Mar foi destituído de seu posto de prático-mor do porto.
Os acontecimentos no Ceará acompanharam mudanças na legislação a respeito da escravidão em outros cantos do Império. Nas principais províncias do Sudeste, começaram a ser adotadas leis que restringiam a entrada de escravos vindos do Norte, medidas que geraram um movimento com forte participação popular. Com o fechamento do porto de Fortaleza ao tráfico em 1881, a venda de cativos para outras províncias acabou sofrendo um duro e decisivo golpe, fortalecendo a luta abolicionista, que no dia 25 de março de 1884 acabou levando a Província do Ceará a proibir a escravidão. A luta para acabar com o tráfico interprovincial na região, com a fundamental ação dos jangadeiros, saiu vitoriosa, fazendo a “abolição” chegar ao Ceará alguns anos antes da Lei Áurea, de 1888.

POR: Júlia alves

domingo, 3 de julho de 2016

Movimento abolicionista popular e a escravidão - Os Jangadeiros

O leitor já deve ter lido e ouvido falar que a abolição da escravidão no Brasil ocorreu pelas mãos da princesa Isabel, quando ela assinou a Lei Áurea, em 1888, ou mesmo que o fim da escravidão foi decorrente da ação dos próprios fazendeiros, donos dos escravos, que viam seus lucros diminuírem com a escravidão, passando a optar por uma força de trabalho livre.
Uma história que quase não foi contada foi a do movimento abolicionista popular, que unia escravos em luta pela liberdade a setores populares da sociedade, como escravos libertos e trabalhadores livres pobres.
Alguns historiadores que estudam a escravidão no Brasil dizem que as rebeliões e fugas escravas, em conjunto ao movimento abolicionista popular, tiveram um peso maior no fim da escravidão que a assinatura da princesa Isabel ou o interesse dos senhores na força de trabalho livre.
No caso do Ceará, o abolicionismo popular levou ao fim da escravidão na província em 1884, quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea.
A união entre jangadeiros e abolicionistas no porto de Fortaleza, em janeiro de 1880, impediu que escravos fossem embarcados em navios que os levariam para o sul do país. Os líderes dos jangadeiros eram Francisco José do Nascimento e João Napoleão, ex-escravos que se recusaram a fazer o transporte dos escravos do porto aos navios. Mesmo com a ameaça de repressão policial, os jangadeiros recusaram-se a embarcar os escravos, sendo ainda apoiados por parte da população que se aglomerava no porto e gritava: “No Ceará não se embarcam mais escravos”.
Depois desse evento o movimento abolicionista fortaleceu-se na província. Os jangadeiros não aceitaram os subornos dos traficantes de escravos. Os soldados do exército passaram a se recusar a capturar escravos fugidos. Os abolicionistas faziam campanha corpo a corpo, libertando os escravos sem indenização a seus senhores. Com essas ações, a província do Ceará tornou-se refúgio de muitos escravos que fugiam das fazendas e das cidades das províncias vizinhas.
Na Bahia, casos semelhantes foram retratados pelos historiadores. Em 1883, na cidade de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, um grupo de saveiristas (saveiro é um tipo de embarcação) e abolicionistas exaltados impediu o embarque de cinco escravos vendidos a um senhor de engenho da região.
Várias outras ações ocorreram na província, inclusive impedindo que o Barão de Cotegipe embarcasse em 1883 uma criança escrava, que iria ser levada ao Rio de Janeiro.
Tais ações mostravam na prática que os senhores de escravos não tinham mais a mesma liberdade que antes sobre suas propriedades humanas. Cada vez mais era difícil sustentar a escravidão no Brasil, principalmente pela aproximação entre abolicionistas populares e escravos, já que os abolicionistas eram muitas vezes ex-escravos ou tinham parentes nessa situação.
Constituía-se assim uma rede de solidariedade entre pessoas livres e escravas que destruíram pela base as relações de escravidão. Essa solidariedade indicava um perigo ainda maior, o de que o fim da escravidão fosse alcançado através de uma revolução que poderia criar problemas ainda maiores à elite do país. Frente a isso, as autoridades reais decidiram abolir a escravidão, mas mantendo o poder das elites. Depois tentaram deixar no esquecimento o abolicionismo popular e as revoltas e fugas escravas, para dessa forma se apresentarem como os verdadeiros responsáveis pelo fim da escravidão.
Por Nicole Cristina Mendes